Há dias eu tenho pensado em algo que me falaram. O curioso é que mesmo que eventualmente eu consiga me deslocar mentalmente para várias outras situações, quando o calor do momento se apaga, eu retorno ao pensamento sem qualquer outra forma de desvio. Chega a ser meio ridículo o quanto consigo ser obsessivo com algumas coisas e, para piorar a citação, ela é muito válida. A frase foi: "Você é o tolerante mais intolerante que conheço".
Por mais que inicialmente parecesse besteira e que a situação se mostrasse simples, ela veio de encontro a um grande momento de questionamento de algumas coisas para mim, sobre mim e o pior, é que me pareceu ser uma das frases mais sinceras que eu ouvi sobre alguma das minhas dificuldades.
Dentro de toda essa situação, percebi algumas coisas de comportamentos pessoais e de pessoas próximas que seus ápices se apresentam em paradoxos de personalidade que trazemos. Chega a ser engraçado, para não dizer trágico, o quão quebrados todos estamos e quão vivemos numa inteireza não existente. Não conseguimos assumir que possuímos sim uma quantidade de medos infantis e que vivemos sob o reflexo de todos, mas nos colocamos a um posicionamento certo, concreto e absoluto, na maioria das vezes, para falar de incertezas.
Aceitar o processo de que estamos numa grande guerra entre sermos nós, ou sermos um robô, que almejamos perfeição em várias das nossas escolhas, torna menos dolorida a questão de uma possibilidade de erro, e mais fácil o abdicar. Assim, fica mais fácil enxergar os estilhaços e viver de forma a se reconstruir do que de forma a viver como se fosse um inteiro que procura sempre uma forma nova, para poder tentar se reconstruir. É difícil acessar que por muito do que construímos a nós, vivemos numa infinidade de possibilidades de um mesmo quebra-cabeça e que não tem referências de montagem.Temos referência de quebra, porque ainda absorvemos e trazemos muito dos erros e acertos dos nossos pais. Mesmo que detestemos ou ignoremos isso. Aprender a enxergar a quebra de cada um auxilia a abaixar a cabeça e compreender que a nossa demanda por perfeição, de nós e daqueles que nos cercam, está alta demais e que precisamos nos humanizar. Precisamos criar as nossas referências, vermos melhor as quebras e chegar a um consenso, o de que muito se pode desde que projete a uma linha de permissão aonde o erro seja tão acolhido quanto o acerto, de forma que os medos não sejam guias, apenas ajustes. Precisamos aprender a ganhar de forma fluida e contínua o que seria uma derrota sólida e estática.
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